Cannabisfera

Introdução

Boa parte da sociedade brasileira ainda pensa coisas bem ruins sobre a cannabis e seus usuários. Cidadãos brasileiros que são contra maconha e que não percebem que essa opinião foi moldada por difamação: é com vocês que queremos falar.

O contexto do projeto Cannabisfera - Maconha no Brasil na Era da Informação é a busca de diálogo com a população que desconfia e teme a maconha e sim, é engajado com o amplo movimento pela normalização e/ou regulamentação e/ou legalização da cannabis no Brasil.

O objetivo prático do Projeto é traçar e revelar à sociedade brasileira, através de recursos de pesquisa com viés etnográfico, quais são os Novos Perfis do Maconheiro Brasileiro, e assim ajudar a jogar na lata do lixo da imaginação coletiva os velhos preconceitos que rejeitam o estilo de vida e as preferências maconhistas.

Acreditamos que, depois de nos conhecer melhor, o leitor passará a enxergar o maconheiro com um olhar mais contemporâneo. E que os resultados da Pesquisa vão munir, com argumentos ricos e verdadeiros, a toda a comunidade que queira participar e enriquecer esse importante debate.


Afinal, o que é Cannabisfera? 

O título do projeto foi, inicialmente, o conceito para um ponto de vista: o mundo visto pelos olhos dos maconhistas no Brasil. Ao longo das etapas da pesquisa, o conceito concretizou-se numa pequena comunidade fechada de apreciadores e entusiastas da cannabis; pessoas de todo o Brasil, digitalmente conectados e cativados pela ideia de se entender melhor enquanto segmento social.

Cannabisfera partiu da tese de que o surgimento das redes sociais digitais - um fator tecnológico - levou o debate sobre a maconha à larga escala, dando voz à "galera", fenômeno que foi confirmado pela pesquisa.

A Cannabisfera é composta por pessoas muito diferentes entre si. Diferentes em todos os aspectos, menos na naturalidade com que integraram a maconha em suas vidas. Assim como o ar que respiram, ou a banda que consomem.

Aqui estamos 100% cercados de pessoas que tem paixão pela maconha e que acham que a erva faz as nossas vida mais plenas e o mundo um lugar melhor para se viver .
— Eitan Rosenthal

Obs: como gancho para eventual continuidade do projeto, o grupo Cannabisfera no Facebook passará a ser aberto a partir desta publicação.


Estrutura do projeto

Fase 1 - Enquete

2256 pessoas de todo o Brasil responderam à enquete sobre perfil demográfico e social.

Formamos 2 subgrupos: “Segmento Nacional” (base 50:20), que obteve 1002 respostas e “Segmento Smoke Buddies”, com 1254 respostas.

Veja relatórios completos:

Segmento Nacional

Segmento Smoke Buddies

Formulário enquete:  Cannabisfera | Enquete online Nacional

 

Fase 2 - "Netnografia"

A fase 2 da Pesquisa foi composta por um ciclo de de atividades e discussões online que durou 5 semanas.

Os participantes foram escolhidos entre voluntários oriundos da fase enquete. Havia 1600 candidatos e apenas 100 vagas previstas.

Afinal 104 pessoas participaram das oito atividades propostas: "Agenda da maconha, "Fotografia", "Natureza", "Amor e sexo, "Esporte e ação", "Capacidade intelectual", "Criatividade", "Encontros SP e RJ".

"Netnografia" se refere a um desdobramento da pesquisa etnográfica que se vale das redes sociais como recurso para alcançar a desejada intimidade com o público a ser estudado.

Veja abaixo o relatório sintético da fase 2:

 
 

 

Fase 3 - Encontros presenciais SP e RJ

E assim chegamos à atividade final - e presencial - em que participaram, dentre os 104 do grupo online, apenas os que conseguiram superar o desafio principal de aceitar expor publicamente as suas condições de maconhistas.

Nesta etapa participaram 19 pessoas, que aceitaram ilustrar com seus perfis pessoais as propostas para Os Novos Perfis do Maconheiro no Brasil.


Método e critérios

A Pesquisa foi estruturada com técnicas de etnografia, sob a supervisão da empresa especializada GHz.  Pela natureza digital do projeto, extrapolamos os limites da etnografia convencional aplicando noções da incipiente vertente da netnografia. 

Por não haverem vínculos formais com instituições de ensino nem pretensão de publicação acadêmica, a Pesquisa não se preocupou em seguir a metodologia necessária para ser caracterizada como científica. Apesar disso, contamos com a inestimável supervisão do neurocientista Renato Filev, da Unifesp, como orientação para uso adequado da metodológica proposta. 

Finalmente, optamos por nos referir ao usuário da cannabis como maconheiro ou maconhista indiscriminadamente, optando assim por ficar fora da discussão sobre as virtudes e vícios de cada um dos termos.

Este projeto foi realizado sem patrocínio e sem fins lucrativos, e não tem outra intenção além de colaborar com a luta pela normalização da maconha no Brasil. Foi motivado pelo amor pessoal do proponente pela erva e pela sua convicção da importância do tema para a construção de uma sociedade melhor.


Agradecimentos

Maconhistas e maconheiros de todo Brasil, vocês foram fantásticos! Este projeto seria inexequível sem o pleno acolhimento pelas comunidades canábicas em todo o País.

Muito obrigado GHzSmoke Buddies, Ganja Talks, Casa de Cultura Jacaranjah, Renato Filev, Glaucia Holzmann, Cristiano Marona, Mauricio Fiore, Pedro Do Val e toda comunidade 50:20 pelos diversos e indispensáveis suportes que recebi ao longo do caminho.